sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mero espectro perambulante




De onde vens?
Desculpe minha petulância...
Ainda é muito cedo para começar com este tipo de questão. Com esta pergunta tão dura. Tão errônea. Tão cheia de verdade com o termo “vens” já afirmando que venhas de algum lugar.  
Mas, me digas, o que fazes neste pequeno universo internauta? Vagando em meio a essa caixa que brilha. Parado neste banco duro. Mal acomodado. Esperas ler um texto construtivo por aqui?
O que esperas de mim? Analisar meus erros ortográficos? Ou um...
Discurso maravilhoso, uma teoria misteriosa, um Ensaio Louco, uma poesia inspiradora, um texto bem escrito. Queres um debate Progressista, não? Sinto a sua vontade daqui onde estou. Esperas algo 
Iluminador! Iluminador de ideias, meu caro iluministazinho?
Queres que eu mande para suas sinapses este parasita revolucionário, este quebrador de paradigmas, ó céus, tenho até vontade de gozar quando penso na Ideia. Na ideia de um pensamento Genial! Esquizofrênico. Enlouquecido por divagações e reflexões.
Devo parar com meus aforismos agora, senhor medidor dos bons textos?
Não faça essa expressão depressiva para mim não. Meu texto está bom, não está? Sou inteligente, sim, meu caro senhor!!!
Receio que terei que começar uma abordagem filosófica-bestial-catastrófica de um meio tão imerso a realidade. As realidades. Pareço instigante agora?
Esse meio é onde vives. Não a rua. Nem a cidade. Nem o país. Nem o mundo que você enxerga. Impressionante, não? O meio está dentro de você. E, também fora. Ou seja, está em Tudo. E, está em Nada.
Nada um termo tão sem vírgula tão sem ponto sem conceito definido sem uma materialização de si mesmo sem absolutamente nada sim ou não ou certo ou errado bonito ou feio será que eu poderia colocar o termo”nada” dentro de um paradoxo uma contradição tão bonita tão louvada por Dioniso!?
Desculpe se eu falei de forma rápida. Eu devia estar empolgada ao tentar relacionar o Nada ao Dionísio, fico pensando agora: será que alguém já fez isso antes?
Chega de indagações, por Zeus!! Por que me indago tanto?
Desculpe a irresponsabilidade em meu escrever. Tão desorganizado. Com estruturas invertidas. Desculpe-me, ó céus! Só queria escrever algo genial, meu iluminadíssimo!

Minha essência se veste da Fala. Do iludir. Mostrar uma verdade. Sim! A Verdade da inverdade. Do Ser dentro de um Não-Ser. Do nada inconcebível. Ou seja, de todos esses prazeres pecaminosos!!!  
Desses vinhos irresistíveis servidos por Dioniso.

Meu caro... DIGA-ME DE ONDE VENS? Não, tu não sabes. Esquece essa pergunta. Fica de bico calado aí. Eu não quero saber! Tu não vive. Tu não respira; Tu não existe. Tu não tem nome. Nem família. Nem roupa. Nem cérebro. Nem coração. Nem casa. Nem verdades. Não tens Nada.

Ó, Deus errante que vaga na estrutura da Loucura!
Ó, senhor, de todos os senhores das ilusões!
És um mito digno. Uma verdade intransponível! 
Um louco normal. Um louco comportado!
Um Deus do sofrimento! Dono das mágoas e lamentações.
Dono da terra. Da água que me falta agora. Da preguiça contemporânea!

Quanta beleza mística há em um Ser louco. Em um Deus dono das coisas. Imaterializadas. Quantas monografias, artigos, uma matéria poderia ser feita para o termo “beleza”. O que é? O que é? Charada. Cilada. Mentira. Danada.

Vamos lá, caríssimos cultos, que estão em débito com a ignorância que os aflige. Senhores conhecedores da vida. Dignos de um bom salário e uma vida boa. Venham  me estudar até meu último neurônio “existente”. Venham querer conhecer minhas mentiras, venham logo! Não demorem, por favor.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ennui



A placa. De um lugar em cima do balcão. Onde se vende comida. “nachapa”. Comida quente. Comida velha. Comida chata. Eu poderia estar voando agora. Eu poderia estar num ócio bom. Mas, estou avoada. Sem internet. Nem doce. Nem bombom. Meu tédio é esfomeado. Me engole. Me esfola. Me acabo. Estou de ressaca. Estou sem saco. Estou sem ter o que fazer. Já joguei cem vezes campo minado. Meus olhos imploram por um cochilo. Não posso. Não tiro. Pessoas entram perguntando o preço das roupas. Que roupas? Aposto. Olhar de espanto. Olhar com pranto. Preciso. De um pano. Há pó. Que roupas? Não quero responder. Um turbilhão de por quês. Tenho que suportar três meses. Longo “meses”. Insuportável “meses”. Preguiçosa. Puta! É o tempo que tempera a mente. Temperamento. Tem. Mente. Mente a mesa que me agüenta. Mente o tempo que me espera. Sente. Um vago. Um vácuo. Vago vazio. Divago. Sem vaga na praça de alimentação. Barulho.  Bocejo. Cadê a cama? O lençol que já não troco há meses? Sono. Sede. Som. Fome. Folga. Fumo. Foi-se minha energia. Foice. Foice. Com a Morte que me acompanha. Com a alma que se esvai todas as 9 horas por dia. Me perco. Em meio ao lixo. Ao tecidos, dinheiros, diálogos. Chatices diárias. Longas diárias.

Tédio.

Num momento era meio-dia e pouco. Agora já é 13:30. Já nem sei quanto tempo estou aqui. Na vida. Na loja. Minhas tarde mudaram. A vida é que nem a loja. Cansativa. As vezes tem movimento. As vezes é tediosa. Parece uma vida morta. Quero mudança, troco as araras. Há questionamentos  “quanto é isso? O que é isso?” Há elogios: “que lindo, adorei a cor” Há dores: “minha vida está tão complicada, moça” Há mentiras “só estou dando uma olhadinha” “50% de desconto nessa peça, baratíssima”. A vida é que nem a loja.

Mais tédio: agora é 13:37. O relógio não passa. Desgraça! Meu cérebro entra em liquidação de neurônios.  13:38. 13:39. 13:42. 13:45
Mais. Saco!. Mais. Por Zeus!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vazio

Besta. Sombria e iluminada. Por que te escondes nos emaranhados? Nos olhos sombrios de tua face? Meu coração acelera por ti, ó minha besta! Minha morte lenta se aguenta em teus braços. Minha sonolência te idolatra. Meu parasita. Meu verme que me devora. Minha ansiedade. Monstro dos meus mares profundos. Me tentas em suas dúvidas. Em sua profundidade. Me equivocas em suas ilhas de clandestinidades.  Por que hás de me engolir sem mastigar? Tua fome não se acaba? Minha amada! Meu ar poluído. Sujeira repelida pela minha tosse.
Meu peito te suporta, é um suporte ao teu peso. Enorme. Frágil. Angustiado. Iludido pelo Nada. Infinito de Tudo. Seu cheiro amargo me anseia. Me enoja. Mas, seu gosto doce não mais sairá de minha boca. Não largará mais minha mente. Doente.
Entes¹ que me ignoram, que não mais me olham. Nos olhos. Seu tamanho aumenta dentro de mim. Estou enorme. Sou mais você do que eu. Do que Eus.  Ser! Existir! Existo porque sou possuída por você. Engolida pelas suas atrocidades. Vomitada por suas questões paradoxais. O que fazes de mim? Ó, princesa da escuridão!  Se escondes de minhas respostas. Me questionas e foge. Me deixando pobre de verdades. De sentidos. Caminhos bloqueados pelo seu ardor negro. Conturbado. Gigantescamente ansioso. Inquieto.  Devolva-me meus Eus trancafiados em tua sala escura. Dura. Fria.

Durma em meu ombro. E, relaxe, um pouco! Venha cá,  dureza de besta! Sua formosura equivocada! Meus pés doem de tanto caminhar a sua procura. Venha se deitar comigo. Deixe-me aproveitar de você, negritude assanhada! Dor melancólica.


¹Dentro da filosofia existencialista em Sartre, seria todos os objetos que nos cercam. Aquilo que oculta o Ser.


13:53

Horário de trabalho. 13:53.

             Tédio profundo. Sem fundo. Paredes com fungo azulado.
             Confundo minhas certezas. Nesse mar sem sal. Sem açúcar. Sem nada. Minha impossibilidade de uma simpatia amigável se torna desprovida de qualquer habilidade automática e educada. Sou má educada. Estou encucada com não-questões. Com os absurdos. Com a própria loucura de se pensar que não exista verdades. Que exista verdades. O suicídio me parece a melhor saída, no entanto o Enigma por trás da morte me parece amedrontador. Receios. Estou com a voz fechada. Estou desgastada. Má alimentada pelo mundo.Má alimentada pelo Nada. Pelos porcos. Pelas vacas. Pelos animais selvagens. Moro em um curral. Talvez eu seja a palha. Que seca. Que fica lá parada. Esperando ser pisada. Arrastada pelo vento. Amargo. Que me rodeia. Pelo vento que sem medo me tormenta. Minhas noites não são mais escuras, meus dias já não são mais claros. Perdi a capacidade de ler. De contextualizar. Perdi minha sabedoria. Perdi meus neurônios intelectuais. Perdi minhas obras. Meus autores. Perdi minhas certezas. Meu sorriso. Até mesmo minhas vírgulas nos textos andei perdendo. Estou branca. Anêmica. Perdi, até mesmo, minha cor. Perdi minhas bochechas rosadas e meus lábios avermelhados. Sinto-me enganada. Fodida. Suja e, completamente, nua.
                Não consigo ser simpática com alguma cliente neste meu horário de trabalho. Não consigo fingir ser amável e prestativa. Sou inútil. Não me suporto! Não aguento me enxergar aqui sentada. Perdida. Fracassada. Nascida. Escrava de leis. Regras ininteligíveis. Não tenho papel na sociedade. Não nasci para procriar. Não nasci para estudar. Trabalhar. Ter uma família. Não nasci. Não pedi para nascer. Escolhi ser abortada. Já tentei a mais alta ignorância. Mas, não me desligo das vozes. Desse sentimento de tédio. De porra nenhuma. Caminho arrastada. Obrigada a competir. A implorar. A fazer coisas insuportáveis. Falando essas coisas sinto-me como uma adolescente quando descobre que a vida não era tão bela. Quando descobre que a vida é uma merda. E, a beleza que se vê na vida é algo que o próprio ser humano cria para poder dar algum sentido. Alguma explicação para se viver. Para se intelectualizar de bostas. Se intelectualizar de caralhos e bucetas. Faço parte da manada. Intelectualizada. Pela vida. Limitada.

                                                           (respiro profundamente...)
                                        ...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tu do. Nada. Ah.


       Meu rosto já não é mais um rosto. É um Nada. A estrada que caminho agora se dobra como uma língua gigante. Os carros sorriem. A árvores se mesclam e seus galhos formam braços assustadores. Na poça de água, a sujeira se transforma em pequenas cobras. Os cães, os sapos e todos os animais são tão geniais que acabo me vendo como um deles. Me transformo em cão. Me transformo em sapo. Já não tenho mais nome. Já não tenho mais tempo. Tempo não existe. Horas, minutos e segundos me parecem uma invenção muito engraçada e sem sentido. Tudo faz parte de um Todo. Sinto-me dentro de um mar e o mar como o céu. Estou de cabeça para baixo. Estou de cabeça para cima. Minha pele coça. Há muitos insetos imaginários. Meu cabelo flutua no ar como se tivesse vida própria. Minha fala sai arrastada. Minha boca está torta. Meu pensamento está louco. Está sensato. Agora, sinto a natureza. Sinto o ar que respiro. Sinto esse sapo que está em minha mão. Converso com ele mentalmente. Ah, quantos ensinamentos! Quantas percepções! Caminho com curiosidade, como uma criança quando se depara pela primeira vez com o mundo! Ponto de exclamação, ponto de exclamação! O mundo está diferente. São outras realidades. Outras subjetividades. Meus olhos despertos analisam tudo, tudo! E, nada, nada! Tudo é tão irrisório. Tão belo. Tão mesclado. Tão enigmático. Tão profundo. Tão confuso.
      Me sinto num mar de percepções. Num mar. Como um peixe dentro d’água. Respirando água. Minha pele já não é tão formidável. Meu rosto não é mais rosado. Estou verde. Estou amarelo. Estou cor de areia. Sou areia. Sou pó. Sou carne. Sou sapo. Sou árvore. Sou cão. Sou folha. Sou Tudo. Sou Nada. Doce. Amargo. Salgado. Azedo.
      Uma espécie de extraterrestre. Uma espécie de criança. Uma espécie de pequenez do Nada. Sou a antena do mundo. Capto o que quero. Subjetividade. Percebo o que quero perceber. E, percebo, também, o que não quero perceber. Transformo o mundo. As coisas são modeláveis como uma. Massinha.
      Mas, meus desejos e meus medos ainda estão incontroláveis. Difícil controlar a libido que neste momento me vem de forma assustadora. Difícil controlar alguns desejos e medos. Desejos. Medos. Difícil segurar uma comida apetitosa quando se está com fome. Vejo ondas me engolir. Vejo mãos me hipnotizar. O prazer me dominar. E, o medo me enlouquecer. Mas, são ilusões. São invenções minhas. Desejos incontroláveis que. Na verdade. São suportavelmente controláveis.
      Meus Eu’s conversam entre si. Não só conversam entre si. Mas, berram entre si. Já tive uma experiência semelhante. Mas, não dessa forma. Exclamações! Sentimentos e raciocínios a flor da pele. Ah! Meus olhos começam a doer. Ah! Minha cabeça começa a latejar. Meu corpo já não aguenta tanta subjetividade. Tanta agitação mental. Meu corpo já não está mais se esvaindo. Agora está ressurgindo da perdição. Do negrume. Do fundo. Da. Escuridão. Não totalmente. Não parcialmente. Nem de forma mínima. Ou máxima. Nem tão pouco. Nem tão muito. Mas, ressurge de volta ao sonho. A ilusão. De toda individualidade. Competição. Ilusão do Ser. Dos conceitos. Das coisas. Da vida. Do sofrimento.
      E, pior, muito, muito pior. A ilusão do medo. Da morte. Da jaula. Do controle. Da mutilação e da tortura. Mental. Física. Medo da Verdade. Do falso Saber. Da falsa Filosofia. Da falsa Reflexão. Medo do sem sentido. Medo do sem rumo.
   

domingo, 20 de outubro de 2013

Ânsia.

       Pensei no que escrever. Pensei em tantas coisas esses dias. Mas, agora prefiro não pensar. Mas, até mesmo o não-pensar está me dando problemas. Queria deixar algumas coisas nas mãos desse velho inimigo chamado: Tempo! Mas, ele sempre me rouba energias e escolhas.
      Minha cabeça está a mil com tantas tarefas e prazeres literários a disposição. E, a mil com tantos problemas e torturas a minha espera. Ando gaguejando demais. Ando comendo doce demais. Ando ansiosa demais. Estou em meio a Angústia. Estou em meio a consequência da dúvida. Em meio a rebeldes e comunalistas revolucionários. Em meio a anônimos e suas concepções de Universo, suas declarações de amor ao mundo, seus brilhos nos olhos.  Estou no meio de um auto-controle desesperador. Um delírio alucinante. Um caminho misterioso. Estou com ideias. Muitas, muitas ideias.
      Na verdade, preciso trabalhar, arranjar uma distração insolente que me renda dinheiro para fazer aquilo que mais me inquieto: viajar. Caminhar-para longe. E, parar de ficar fraquejando em meio a essa caixa sistematizadora na qual me encontro. Ah, essa perda de tempo!  Ó, esse céu que me tolera olhá-lo! Como que, eu, uma pequena mísera nômade, suja, cínica, tenho a permissão de contemplar esse mar de tolerância? Esse céu azul do meu lado?
     Sinto-me rodopiando sem parar. Imagine, como deve ser pensar e rodopiar ao mesmo tempo? Ânsia. Enjoo. Desequilíbrio. Sentimentos de acidez. Viver em rodopios causa Caos. Caos, o temido e adorado Caos! Aquele na qual venero. Mas, confesso, que ao mesmo tempo o temo. E, sinto que esse amor que tenho com o Caos, é algo recíproco. E, esse relacionamento me atordoa. Aliás, qualquer relacionamento me atordoa. Qualquer estagnação me enche de repugnância, e de consciência pesada. Falando em estagnação, agora seria um momento que eu poderia falar sobre o Amor, esse sentimento que me dá náuseas, mas não. Deixarei em meio as entranhas de- talvez- um próximo texto inútil, ou dentro de um diálogo qualquer. Não me sinto disponível a falar sobre esse termo de merda. Talvez, quando eu falar sobre Caos mais profundamente eu possa relacioná-lo, quem sabe.  Ou quando eu me tomar dos desespero do poeta Paul Verlaine(risos).


     Agora, irei me deitar, terminar de ler uma biografia e um clássico deturpado ao meu lado. Depois, assistir algum filme eufemista chato ilusório.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Outro. Mais Um.

               
                Outro dia. Outra noite. Outra vida. Outro pensamento. Outro corpo. Outro espelho. Outro mundo. Outras expressões. Outros gestos. Outros Mistérios. Outra filosofia. Outra física. Outra língua. Outro tempo. Outra estação. Outro mundo. Outro universo. Outra realidade.
                O termo “outro” vem acompanhado de falácias, com um desconhecimento do próximo, do diferente, do não presente no próximo. Será que todos, todos os dias ao dormir e ao acordar, acreditam, realmente, que o “outro” é previsível? É verdadeiro no que é falado, interpretado ou investigado? Que possa ser estudado com uma micro lupa? Me intrigo, principalmente, com fontes de “outros” dita verdadeiras, como, por exemplo, a ideia da Filosofia ser originada na Grécia, ou, ainda, como  os cabelos que ora eram cacheados depois ondulados agora são, “naturalmente”, lisos. Questiono suas “ verdades”, questiono de forma rude sua realidade, mas deixo claro que a minha “realidade” e todo meu questionamento não tem mais veracidade que o seu. Mas, de qualquer forma, questiono de forma assustadora, nada, nada sutil. Posso estar errada. Mas, não confio no “outro”, aliás, no mínimo compreendo que nem todas as fontes ditas verdadeiras são tão verdadeiras assim. Compreendo que tudo são míseras partes de um Universo tão vasto. E, que todos os “outros” são tão enigmáticos quanto eu.  Não tenho verdades, talvez achismos baseados em minhas “realidades” (?). Tenho aleatoriedades e meus desconexos, mas, por favor, nada em excesso.  A única coisa que em excesso se encontra em meu Eu, explorador e investigador de conceitos, são meu extremismos diante da afirmação “ Tudo é enigmático, imprevisível e inexplicável”.  Desculpe-me se minha estranheza ora medíocre ora simpática ora irritante incomoda. Talvez eu melhore minhas contradições através de uma divisão da palavra “verdade” como: a realidade inventada - que, aliás, não deixa de ser mentira, afinal quando diz "o Brasil ganhou a copa" não se está mentindo, é fato. Já, a Verdade genérica é aquilo que se compreende como uma aproximação da verdade, do fato, da realidade, somente uma aproximação. Assim como ocorre, constantemente, em história quando se afirma que os portugueses "descobriram" o Brasil ou foram os primeiros, com exceção dos índios, a pisarem em terra brasileira, essa é uma verdade genérica, que, enfatizando a frase acima, tenta se aproximar da verdade.
                Portanto, o “outro” não passa de. Mais um mistério. Mais um questionamento. Mais um exagero. Mais um demente. Mais um Louco. Mais um Inverno. Mais uma Tempestade. Mais uma Perfeição. Mais um, e somente um, Universo.
          

               Que São. Sempre                     são. Repetições estranhas de. Outro. De Mais . Continuam. Desconexos. Loucos, dementes, idiotas. Burros. Sim e não. Com um Será que. Talvez.




 "Tarefa importante desde os gregos conhecer-se a si mesmo, talvez por não ser possível conhecer mais nada além de nós mesmos. Talvez porque não possamos sair de nós mesmos" ( tirado do vídeo " Mundo Percebido")

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Incompreensível Universo.

         
           Olhos. Observo seu universo incompreensível em seus olhos. Observo sua Loucura. Suas expressões desesperadas. Seu sorriso desejando um conforto. Sua tremedeira na voz. Seu sem jeito ao tentar puxar assunto. Seu universo está tão distante do meu, tão, tão distante. Não imaginas que eu não me conforte com isso, mas realmente não me sinto agradável percebendo sua fala indizível, seus berros ensurdecedores. Responda-me, o que queres com o mundo? Qual o sentido que estais dando a vida?Adoraria poder compartilhar minhas experiências, e me utilizar de frases sábias, mas o que saberei eu da vida? Não consigo compreender meu próprio Eu, não consigo sequer dizer o sentido que estou dando a esta minha viagem imprópria e desconsiderada. Passo minhas páginas sem sequer lê-las com tamanha atenção. Fico trancafiada em um mundinho escuro, tentando teorizar sobre o mundo na qual desconheço, tentando não aceitar teorias controversas, nas quais acho impossível afirmar. Minha mente racionalista e limitada caminha em um relativismo irritante. Caminha em um superficialismo odiado pelo meu subconsciente. Meus neurônios travam batalhas todos os dias. Desgastam suas energias por disputas de ideias sem nexos a todo momento. Como que poderia aconselhar seu universo, se o meu universo está perdido em um espaço completamente vazio, esquisito, vagando e se embebendo de frases desconexas e divagando sobre metais enferrujados. Espero, realmente, que possas um dia me ensinar algo sobre seu universo. Juro que eu adoraria conhecê-lo, mesmo que minimamente.


              E, ainda, assim adoraria parar de reparar em seus olhos pequenos de pálpebras caídas, com uma sobrancelha mal feita e inexpressiva. Mas, parar de observar não irá me fazer temer menos ao seu Eu. Quando enxergo sua alma meu coração bate tão forte como marteladas abafadas. Minha alma se machuca com esse temor, esses berros e esse afastamento odiado pelos dois. Acho besteira escrever sobre isso, um lado meu oculto sussurra em meu ouvido para que eu apague tudo isto, afinal é tudo besteira, chatice. Mas, não consigo. Não posso. Sei que parece besteira, eu sei disso. Mas, tenho necessidade. Pois, hoje quando o avistei me senti mal, ruim por dentro. Não quero ser emotiva demais. Mas, assim como Nietzsche, não quero deixar somente minha razão me dominar,  necessito da emoção, e quero aprender com meus sentimentos, mas, somente nos dias chuvosos com tempestades amedrontadoras, afinal, esses são os dias mais agradáveis e bonitos de todos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Já disse, não quero título. Por que insistes?

          Sem título! Apenas, estrutura. Não, não quero nome. Quero um corpo. Tá bom, razão aqui também não entra, só quero emoção. Ah, sem roupa, por favor. Quero nudez. Quero alma. Quero pureza e ingenuidade. Quero sabedoria. Quero uma não-definição. Quero o Nada. Quero também a luz do dia. Quero a escuridão iluminada por estrelas, por planetas que refletem a luz do sol, pela própria lua. Quero voar mentalmente. Quero criar.  Quero saber que tudo é possível. Não quero compreender o mundo, quero ir à busca da compreensão e nunca entendê-lo. Quero erros, muitos, muitos erros. Quero expressões, gestos, sorrisos, olhos perversos, rostos controversos, olhares perplexos; mistérios.

        
           - Ah... Cadê meu chá? Minha aleatoriedade precisa de uma companhia.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

ah

                                
            Vida, minha querida e amada vida. Por que me prejudicas desta forma? Acreditas mesmo que adoro sentir dores?Dores doloridas, dores prazerosas, sentidas ou não sentidas. Compreendo sua aversão pelo tédio, compreendo suas inovações, suas ideias mais surpreendentes, e ao mesmo tempo inócuas. Mas, será que dá para você relevar um pouco com meu humilde eu lírico? Com este meu aforismo, um pouco exagerado e necessitado de reflexões profundas.  Com meus discursos e ensaios, por vezes cansativos e inúteis. Mas, inúteis, somente, para ouvidos que não saibam ouvir, e para olhos que não saibam enxergar. Caminho obscuro, complicado, tentado pelo lema “Sempre alerta”, mas até mesmo o suicídio necessita de um esforço. E, esse esforço deve ser o tal do  continuum, na qual se torna um traidor aquele que pára para bocejar, para assoviar e até mesmo flertar.  Ah... Maldito continuum, servo do tempo, servo da própria amada vida.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Suspiro.


         
         Sentimentos de acidez. Meu rosto se contorce, faz uma expressão engraçada de repulsa. Meus olhos se fecham, e minha sobrancelha se levanta. Suspiro. Ah. Estou engasgada com palavras que não podem, nem quero deixá-las escapar. Calada, apenas ouço. Tédio.
         Esses seres humanos, quando pararão de murmurar frases desconexas? Até quando terei que ouvir seus assovios e murmúrios? Milhões de cabeças, corpos, faces sem rostos. Milhões de pontos de interrogações. Milhões de personagens, robôs que não sabem, e provavelmente, jamais saberão o sentido de estarem na terra. Milhões de opiniões, pontos de vista, ideologias.  Milhões, até mesmo, de “verdades absolutas”. Adoraria utilizar a palavra sofista de modo pejorativo nesse contexto. Adoraria poder parar de me importar com esse contexto. Mas. Ah, chega de mas. Sou parte desse contexto. Sentimento constrangedor. Olhos sem nenhuma expressão. Boca fechada. Uma ruga, pensativa, na testa.
        Para quê frases longas? Se as frases curtas são mais objetivas. Para quê muita vírgula? Se os pontos nos fazem refletir mais. Por que não, um texto normal? Porque a vida não é normal, e um texto sobre a vida jamais seria normal.
       Ah! Outro suspiro. Apenas digo uma coisa: a vida é breve, não quero ouvir seus arrogantes gaguejos sobre seu mundo invisível. Não venha atrás de mim. Reflita, mas conscientemente. Se vier atrás, me conte seus erros, adorarei escutá-los. Mas, não canse sua generosa saliva e seus neurônios para contar-me o significado do mundo. Principalmente, se quiser que eu acredite em seus significados. Já basta ter que aguentar meu mundo invisível, terei que aguentar o seu? Os seus achismos? Não. Olhe para mim com ar de “sou melhor que você”, torça seu nariz e me vire às costas.
       Sorriso irônico. Olhos semiabertos. Uma sobrancelha levantada. Último suspiro, o mais longo e aliviado de todos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O mistério do céu


    Agora compreendo porque o céu nos atrai tanto. Com seus planetas, estrelas, luas, meteoros, cometas, exoplanetas. Enfim. O céu é a capa de nosso livro. Onde o planeta Terra seriam as páginas. Páginas complexas e muito bem detalhadas. Onde os seres vivos seriam o personagem principal. Mas, a uma diferença enorme entre o livro comum e o nosso livro. Pois, no livro comum a um ou dois personagens como principais. Já, no nosso livro todos seriam os principais.  Somos obras de arte. Acreditamos que o universo seja um mistério. Um enigma terrível. Mas, não compreendemos que nós também somos um enigma. E ainda achamos a vida entediante. Há tanta coisa para descobrir e para conhecer. A vida é uma agitada aventura. 
   E, mesmo assim existem pessoas que desacreditam de sua importância. Isso porque nunca tiveram tempo para olhar para o céu. Ou até mesmo para as árvores e animais, na sua essência. É triste pensar que alguns personagens admiram seu cenário. E, ao mesmo tempo os destroem. O planeta, é um livro que está sendo escrito a milhares de anos. E, melhor, ele continua sendo escrito neste exato momento. Não é incrível? Não somos somente uma peça de lego. Nós somos o lego!

domingo, 8 de julho de 2012

sem título.


    Em um silêncio escuto sua respiração forte, tão forte, e aconchegante. Seu olhar me quebra barreiras, me tira as regras implantadas a mim mesma. A sua sobrancelha, tão bem desenhada, se encaixa perfeitamente com seus olhos.  Mas, o que dizer de seus olhos... Aquele brilho, me faz pensar o quanto é maravilhoso viver,  o quanto é bom estar contigo. Até sua risada espalhafatosa, se torna um charme quando vejo seus olhos. Mas, mesmo um sentimento sincero, tem seus defeitos. Ou melhor, um defeito. E este defeito, sou eu. Ás vezes penso, o quanto devia me deixar levar por você, e as vezes acho isto muito arriscado. Não estou pronta para amar, nem quero estar pronta.
      Ter um coração despedaçado, leva tempo para reconstruir. Não desista de mim, e não deixe eu desistir de você. Acredito, que quando eu terminar este desabafo, ficarei um bom tempo, sem falar sobre o Amor. Devo estar sentimental demais, sinto que é necessário eu pôr para fora. Nunca falo sobre este sentimento, mas acredite eu não sou tão fria quanto pareço.  Na verdade tenho medo, muito medo, que o amor estrague tudo, novamente.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Conto - Devaneios de um sem-teto


                                                   
     Caminhei em uma velha praça descolorida, encontrei  uma sombra de baixo de um quiosque. Emprestei meu cobertor invisível a um velho amigo e me esquentei, com meu grosso cobertor imaginário. Me sentei à sombra e descansei  meu corpo de atleta.
       Ao amanhecer, acordei com socos e chutes violentos. Pensei que fossem os militares da ditadura, que haviam descoberto que eu era o líder de uma revolução. Mas, na verdade, eram pessoas, que diziam que eu deveria trabalhar e que eu não merecia estar na cidade deles. Fiquei emocionado, eles sabiam que eu era um Rei, e que eu deveria procurar meu castelo.
    Me despedi das pessoas boas. Caminhando com rosto dolorido e com os braços pingando sangue, encontrei vários anjos.  Chamei meu amigo, aquele que emprestei meu cobertor invisível. Os anjos nos deram o que comer, nos ajudaram e disseram frases bonitas. Mas, ainda tinha saudade da velha praça sem cor.
    Voltei, finalmente, para a sombra do quiosque. Conversei sobre Filosofia com meu amigo, só parei de falar quando um homem olhou para nós e disse“Você é doido, igual essa sua mente!”. Não entendi muito bem, acho que ele era doido. Dei breves gargalhadas e me cobri com meu cobertor invisível.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

        Suor frio. Coração pulsando bravamente como se houvesse uma criança trancafiada dentro de uma pequena caixinha escura, e estivesse desesperada para sair. Uma dor de cabeça insuportável. Um nó na garganta agoniante, como se um elefante estivesse preso. E um silêncio perdido em negrume... O que mais se espera de uma pequena revolta infantil com o mundo? O que há de se esperar de um pequeno fantoche? Vivemos neste planeta, e tudo parece que sempre foi assim, e que continuará sempre igual, mas... Pensar sobre o passado não é algo temeroso? Afinal,  você também será um fantasma, um passado misterioso, um universo que jamais foi revelado. Será apenas a luz de uma estrela que não existe mais, e esta luz que ainda vaga no espaço seriam suas histórias, suas pequenas artes que foram deixadas para trás. Não é terrivel você pensar que um dia terá que morrer? Ser obrigada a sair de uma fantástica aventura, da qual não haverá sobreviventes?  Ter que se desfazer de seus átomos que já prestaram a um dinossauro, e agora farão parte de algum ser desconhecido do futuro? Ou melhor, viver cegamente em um lugar desconhecido, onde estranhamente tem cinco dedos em cada uma das mãos e pés, tem duas pernas, dois olhos, um cérebro, e... a consciência? Como se criou a consciência? Quem a criou? Não, não nada de Deus, talvez houvesse algo terrivelmente enigmático da qual o universo seria apenas um grão da estrutura do misterio onde vários oompa-loompas estivessem trabalhando para Um ser ainda mais poderoso ou apenas... não haja nada. E os devaneios estejam divagando demasiadamente.
        Agora, já não há mais um silêncio perdido em negrume, a sons ensurdecedores e uma luz tão forte que faz aparecer corpos fibrosos presentes na substância gelatinosa entre a retina e o cristalino dos olhos. A expressão se contorce ávidamente. E o sol parece observar no horizonte chamando para um duelo. Subliminar. Algo de consciência para enigma.

sábado, 22 de outubro de 2011

Inquietação mental.

       Em um universo infinito delineia-se um silêncio tedioso, onde há coisas impossíveis,  como bolas flutuantes pegando fogo, umas menores e outras maiores. Há ainda milhares de bolas brilhantes brigando para misturar seus átomos. Neste universo há também milhares, eu disse milhares de galáxias, impossível não? Em uma dessas milhares, há uma galáxia muito antiga, com mais pedras flutuando e pegando fogo, tem também um grande gás fervilhando de energia, eu disse “grande” para dizer o mínimo. Esse gás vive bem no centro de alguma ordem metódica e enigmática, onde a sua volta há mais bolas de cores e temperaturas variadas, seguindo sempre uma mesma trajetória. Dentro de umas das bolas, há varios microorganismos que não param de se movimentar, que vivem em casas microscópicas. Em uma destas casas microscópicas há uma humana dentro tomando seu banho, antes disso ela estava vendo um desenho na tv,  antes  ainda ela tinha acabado de discutir com seu irmão, e antes estava dormindo. Engraçado, não? Apesar de viver em uma bola flutuante, ela se preocupa em tomar seu banho.
        Mas agora ela está saindo do banho. E ao se olhar no espelho, ela depara-se com si mesma, novidade? Nenhuma, afinal o que ela olhava era um espelho. Mas, o que acontece de diferente  ao se olhar no espelho, é que agora ela não estava reparando em sua aparência, ou até em seu corpo. Ela enxergava para dentro de seus olhos, ela viu algo de diferente, talvez tivesse enxergando sua alma. Ao olhar para dentro de seus olhos, ela lembrava do olhar e do sorriso de seu avô, mas o que tinha a ver com o que havia dentro de seus olhos, com o olhar de seu avô? Não sei, mas ela lembrava com tanta intensidade seu avô, que já tinha há deixado muitos anos atrás. Por quê a  deixado? Ele nunca, nunca havia deixado ela, sua presença parecia mais forte a cada ano. Ele não a deixou, algo puxou pela sua alma e levou ele ao desconhecido. Por que isso? E pra quê, qual o sentido de tudo isso?
       Não é injusto, você viver em uma bola flutuante, ter que tolerar viver com outros microrganismos, e ter como preocupação sua aparência, um corpo que com o tempo vai desgastando você querendo ou não, e ainda ter como preocupação quantos bens materiais você pode conseguir, uma casa com piscina, um carro da hora, ou o pior de tudo se apaixonar, ou até ter um amor muito grande por um amigo, pai, irmão, mãe, ou até mesmo... Um grande avô. Quer dizer, num dia eu estava saindo de casa, levando uma flor e um pedaço de bolo, cumprimentando-lhe, sentando em sua poltrona, e sempre acabávamos ficando sem assunto. Não era desconfortável não termos assuntos. Eu o admirava, não sei extamente porquê, em uma das raras conversas que tínhamos, todas eram especiais, não eram conversas jogadas fora. E noutro dia, uma tristeza, vendo seus olhos pessimistas, não brilhando mais como antes. Seu corpo morrendo a cada dia, até que... Até que PUF! Ele some sem ao menos ter uma explicação. Será que isso é justo? O que seria justo para mim? Porque eu não consigo responder isso? Por quê temos que passar por tudo isso? Será que realmente quando chegamos a terra, temos apenas que ganhar aprendizado e assim evoluir nosso espirito, e ai sim continuar o processo da reencarnação? E pra quê tudo isso? Para no final termos uma vida perfeita? O que seria uma vida perfeita mesmo? Por quê achamos impossível acreditar em um Deus, se vivemos em uma bola flutuante? Por quê existiria um Deus? E se existe mesmo, por quê criou o universo? Por quê criou as pessoas? Para combater o mal? Que mal é esse que existe? E Deus, não é tão perfeito e grandioso, o mais forte de todos, que não consegue combater este mal? Se ele quer nos ajudar, por quê criou algo tão injusto como a vida? Será que a vida é realmente injusta? Será que ao morrer, seu corpo apenas se denigre ao vento, e o que resta, somente o que resta, são as lembranças? As lembranças são as únicas coisas que se sobrevivem no tempo? Por quê achamos tantas coisas impossíveis, se temos uma vida tão impossível como essa?
       Essas perguntas sobre a vida, o universo, Deus, parecem estar me aquietando a cada segundo. Sempre achei que se questionar sobre isso, seria inútil. Uma perca de tempo, porque no final sempre desaparecemos. Só que ao desaparecermos, a única coisa que irá nos restar são nossos pensamentos, devo deixar valer a pena poder pensar, perscrutar o conhecimento não só pela razão, mas pelo sentido também. Minha única chance de poder sobreviver, é deixar algum pensamento importante, minha única chance.

sábado, 20 de agosto de 2011

Abrindo a mente


       Caminhando em um trapiche. John, um filósofo e astrofísico que vivia sempre muito estressado com o trabalho e ocupado dando palestras e aulas, se encontrava por incrível que pareça sozinho em seus pensamentos. Observando o pôr-do-sol, onde refletia ao mar, ele quase se emocionava em ver algo tão perfeito e grandioso. Ele sempre passara todos os dias por esse local, mas nunca havia percebido o trapiche e aquela paisagem.
      Agora, ele não queria se preocupar com mais nada, apenas sentir o vento no rosto e só. Perto dali, um mendigo bastante enigmático e observador repara na expressão de John e perturbando seu silêncio o questiona:
     - Olá! O que você está pensando? - John, levando um enorme susto. E se equilibrando para não cair do trapiche, responde irritadamente.
     - Ai! Que susto você me deu! Não estou pensando em nada. Eu te conheço?- Com um sorriso misterioso, o mendigo responde.
     - Minhas sinceras desculpas pelo susto.
     - Você não respondeu minha pergunta. Eu lhe conheço?
     - Bem... Isso não vem ao caso. Pois você não me disse no que estava pensando. - John pensativo. Não entendendo do porquê este homem estar ali para perturbar seus pensamentos. Responde convicto.
     - Não estou pensando em nada! Poderia ir embora? Estou realmente ficando irritado!
     - Desculpe, não foi minha intenção. Mas só peço que me responda a uma pergunta pelo menos. - A fim de não ter outra opção, a não ser responder a dita pergunta, John aceita conversar com este anônimo.
     - Tudo bem, se você se mandar após a pergunta.
     - O que você desejar. Mas então, no que você estava pensando? Creio que sua mente neste momento esteja pensando quanta pertinência a minha. Mas pelo olhar em que você se encontrava e o modo como observava o mar, devia ser um pensamento deveras interessante. Se quiser que eu vá embora agora, tudo bem.
     - Não, tudo bem. Eu só estava imaginando o quanto a vida não faz sentido. Quer dizer, você acorda toda manhã, toma um café, vai trabalhar, namora, sai com os amigos para beber, volta para casa e vai dormir. Só isso. - Com uma voz um pouco exaltada, e observando o mar, continuou. - Caramba! Estamos flutuando no espaço, será que ninguém se dá conta disso? Será que as pessoas acham tudo isto perfeitamente normal? Aposto que você esteja pensando que sou louco ou algo assim. Mas você fez sua pergunta, teve sua resposta. Peço que vá embora agora! - O anônimo fitando-o, com um olhar orgulhoso, o surpreende.
     - Interessante pensamento , John. Era exatamente o que eu estava precisando ouvir de alguém como você.
     - Você sabe meu nome? - Dando poucas gargalhas, o misterioso homem responde.
     - E como eu não saberia? Se importa se eu fizer mais perguntas ? - Com uma expressão assustada, John aceita conversar mais com este anônimo. Mas o que ele queria saber mesmo, era como este homem o conhecia.
     - Tudo bem, mas insisto em saber quem o senhor é, e como me conhece.
     - Tenha paciência John, tudo tem seu tempo. Vamos começar. O que você pensa sobre o universo? Você acha que o universo é eterno, teria ele se criado a partir do nada absoluto? John, isto é naturalmente possível?
     - Bem, penso que estamos ainda na pré-história do entendimento do universo. Sobre achar que ele é eterno, não sei responder.
     - Ok, vamos a uma pergunta muito mais intrigante, John. Quem é você? O que você acha, sobre não poder determinar sua própria aparência? Ou pior ainda ainda não ter decidido ser uma pessoa? A final, o que é mesmo ser uma pessoa? - John, com um olhar confuso. Como se estivesse buscando sua resposta através de teorias, ou livros que vinham em sua mente. Seu cérebro, era como um computador, apenas armazenava pensamentos e lógicas de outras pessoas. Não pensava por si só. Talvez pudéssimos comparar sua mente com uma pessoa obesa e preguiçosa.
     - Nossa! Quantas perguntas.
     - Você não deve procurar quantas perguntas têm John, e sim em quantas respostas você deve achar. Todo dia quando você sair para beber, o que você ganha? Liberdade? Sair um pouco da rotina? Diversão? Não, nada disso. Você ganha apenas...Presta muita atenção no que vou dizer, você ganha apenas uma vaga sensação de felicidade. E quando vai dormir, o que sente? Você sente que algo está faltando dentro de você, um vazio, não é? John, vamos lá, não quero que justamente você passe a pertencer ao clube dos apáticos e indiferentes. Quero que você viva uma vida instigante!
     - Olha, sou um filósofo e astrofísico, sei de muita coisas. Com certeza mais que você, que é apenas um mendigo. Sei as perguntas que devo percorrer e as respostas que devo perscrutar, e se não durmo acredito que seja problema meu. E se você sabe tanto assim sobre mim e sobre a vida. Me responda se realmente existe um Deus. Vamos lá sr. Sabidão.
     - Não John, não sei nada. Minha opinião não importa, sou um mendigo, não está vendo? Mas e você acredita em Deus? Ou mais ainda acredita que ele teria também se criado a partir do nada?
     - Não. Realmente não acredito em Deus. Pra mim isto não passa de um conto para pessoas que tem medo do escuro.
     - E porquê você não acredita em Deus, John?
     - Acho essa história de Deus muito primitiva. E outra você já ouviu falar de Nietzsche, um grande filósofo. Na minha opinião ele revolucionou a filosofia, em afirmar "Deus está morto". Acredito na opinião dele, então para mim não existe. - O mendigo, com uma expressão profundamente preocupada, abaixa a cabeça e o pergunta.
     - Você é realmente um filósofo?
     - Mas, claro que sou! Quer ver meu diploma? Dou aula para uns jovens aqui perto. - O mendigo decepcionado, balbucia em voz baixa.
     - Coitado destes jovens.
     - Ei! Eu ouvi isso. Não sou ruim por não acreditar em Deus. Você é evangélico ou algo assim?
     - Não, não. Reclamei, porque... Bem porque você não é um filósofo de verdade, é um tremendo falsário.
     - Como você ousa dizer isso? Tenho meu diploma, estudei durante muito tempo. Sei muito mais que você, me pergunte qualquer coisa, vamos lá! - Ao ápice da irritação, John, pensa porque ele tinha que estar ali ouvindo sermão de uma pessoa que mora na rua, que não tem o mínimo de educação. Então a fim de trancafiar este mendigo em sua gaiola do pensamento, John queria mostra o quão sábio podia ser.
     - Já fiz minhas perguntas John, você não soube responder. Acho que minhas próximas perguntas, teriam respostas incrédulas como aquelas.
     - Respostas incrédulas? Quem é você, para me dizer isto?
     - A pergunta certa, não é quem eu sou e sim quem você é?
     - Ah sim, acho que já entendi. Através deste método socrático, você pretende ser um novo Sócrates, é isso?
     - Já estudei durante um longo tempo sobre Sócrates, ou melhor nós estudamos. Para falar a verdade você sabe quem eu sou. Mas, continuando, se você é um verdadeiro filósofo, porque fica em busca de opiniões formadas como a de não acreditar em Deus, por ser um pensamento de um grande filósofo? Tem medo do que você possa pensar? - Muito pensativo. John observa ao seu redor, e depois de um tempo, finalmente responde.
    - Não tenho medo. Não acredito, porque tenho amigos astronautas que já foram tantas vezes para o céu e nunca encontraram Deus, nem se quer sentiram sua presença. Por quê eu deveria acreditar, se ele nunca está no céu?
    - E o que você tem a dizer, sobre cirurgiões que abrem as cabeças, e nunca sequer, viram um pensamento? Quer dizer que pensamentos também não existem?
    - Nunca pensei nisso.
    - Talvez você não tenha pensado sobre muitas coisas, não é? - John, abrindo os olhos, e percebendo que suas respostas nunca seriam encontradas, seguindo respostas de outras pessoas. Que deveria apenas refletir sobre outros pensamentos, para ajudar a formular as suas. Descobrindo que não se pode aprender filosofia procurando sobre o quê pensar, e sim em como pensar, responde.
    - É... mesmo eu sendo um "filósofo", acho que eu estava vivendo cegamente. Estou me sentindo como um personagem da teoria de Platão, largando as sombras, largando a caverna. Você é muito inteligente, me ajudou muito. Mas agora me responda, como você sabe tanto sobre mim? Quem é você? - O enigmático mendigo respira profundamente, e responde.
    - Você me criou John, sou a sua consciência.
 
 
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sem algemas.


Em uma noite tão pouco estrelada, nuvens em conflitos se aglomeram. Suas lágrimas se enchem, garoando os campos úmidos e secos. Abaixo das nuvens, há uma única árvore, nela há folhas e flores invejáveis de tão verdes e belas. Da pra sentir sua vibração de longe; sentir de qual tanta vida existe nela. Mais abaixo se reflete sua sombra, tão tímida e oculta, declarando mistério ao seres vivos que estão dentro dela. Em cima da sombra, há uma garota sentada, de face agrádavel, de cabelos cacheados e longos dançando ao vento. Ela está criando uma história. E eu posso ver seus pensamentos fluírem. Posso testemunhar o escapar de suas palavras. E eu as vejo, sinto sua temperatura. Observo sua cor. As palavras sinuosamente vão sumindo junto com a sombra da árvore. E eu ouço sua melodia, e todo encantamento que há nela. É incrível como a vista de minha janela, pode me proporcionar várias portas á minha psiqué. E as libertar, deixá-las observar ao mais alto céu. E livremente sentir o ar fresco arrepiando a pele. Sentir o frio na barriga. E ainda assim respirar fundo, fechar os ólhos, abrí-los novamente e dizer "eu posso voar".

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lá estou eu.


Em cima de um morro, lá estou eu de braços abertos, de roupa qualquer e descalça, com lágrimas escorrendo sangue, estou berrando, gritando e suplicando a minha, só minha liberdade. Meus pensamentos estão amontoados e tristes em lugar escuro, dentro de seus casulos, a espera de luz. A minha voz está ecoando ao vento, elevando ao alto e me trazendo segurança. Tudo ao meu redor para, ouço somente minha respiração ofegante, e minha voz rouca e cansada, sem forças mais, minhas pernas trêmulas caem involuntariamente, meu olhos se fecham e eu durmo tranquilamente, com som do vento rebatendo em meus ouvidos e com a chuva lavando as sujeiras de minha mente. Não há algo novo em mim, nem nada de mais, apenas a tempestade indo dormir, e o sol reabrindo novamente.

sábado, 11 de dezembro de 2010

E agora?


   Sentada, vendo o tempo passar,vendo no que eu poderia estar pensando, tentando me desiludir. Lembro de meus olhos brilhando, lembro do meu coração batendo fortemente, eu não sei o que pensar, no como eu deveria agir, nem em que sentimento devo me focar, a sua confusão me contagiou. Num momento eu estava tão certa do que estava fazendo, entao derepente minhas idéias caem de um penhasco, e eu simplesmente as perco, para sempre.
  E agora? Amar algo e simplesmente taca-las de um penhasco, apenas para ter sua mente desocupada, sem consequência seja boa, ou seja ruim, trará um beneficio? Queria somente uma resposta, a sua resposta, apenas isso.

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